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Corvos, serpentes e morte - Larissa Moretz

por Hades em Qua 15 Jun 2016 - 22:14

Hades

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Deus Olimpiano
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Larissa expirou a fumaça do décimo cigarro daquela amanhã, e jogou o décimo filtro no chão. Sujou de cinzas as solas de seu calçado pela décima vez e, pela décima primeira, levou a mão ao bolso em busca de outro cigarro. Acendeu-o e tragou..

Para onde você vai agora, vagabunda?, perguntou um simpático corvo no topo de uma árvore.

A garota stava, por sinal, sentada em um ponto de ônibus acabado na inter-estadual, à bira da estrada. Os ventos frios varriam o asfalto periodicamente, enquanto ela olhava para ambos os lados do horizonte e via nada além de terra, árvores, nuvens e nada. Mangohick era uma cidade no leste de Virgínia, pequena e rural. Como havia ido parar ali? Só deus sabia. E olha lá.

A menina não respondeu o corvo de imediato, então ele apenas perguntou novamente;
Você sabe ao menos para onde ir? Vaca.

O vocabulário da ave parecia bastante requintado. Ela não sabia de onde ele tinha vindo, mas a estava seguindo desde que saída da igreja um dia antes, pousando aqui e ali para falar coisas aleatórias e palavrões diversos. Comia as carcaças dos mortos - ou vivos? -, as frutas podres das árvores e tentava bicar a garota vez ou outra.

Ao longe, um veículo parecia se aproximar.







Ω Lord of the Underworld Ω
#1
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Senti meu corpo esfriando. O cigarro aliviava. Eu não entendia o frio. Ele era chato e repentino. E eu não sabia o motivo de me caçar tantas vezes. Olhei para baixo. Será que era porque eu vestia apenas uma camiseta de número muito maior que o meu e... Mais nada? Provavelmente não. Deveriam ser os pequenos diabos, aqueles que vem direto do inferno de gelo e se escondem pelas sarjetas e becos. Eles assopram e trazem o frio para mim. Eles são loucos. Deveria me afastar deles.
 
Eu estava cansada. Os diabos vinham sugando minhas energias. Traguei o cigarro com mais força.  Sentei em um ponto de ônibus. Não estava sozinha. Um companheiro me seguia desde o começo da viagem. Ele fedia à carniça.
 
Para onde você vai agora, vagabunda? Você sabe ao menos para onde ir? Vaca!” Esse era o canto dos corvos? Ergui a voz e cantei com ele.
 
- Para onde você vai agora, vagabunda? Você sabe ao menos para onde ir? Vaca! - Ergui a voz.
 
Parecia um canto tão triste. Abracei meu corpo. Sentia-me melancólica. “Para de cantar... Para de cantar” eu sussurrava pra mim, entristecida.
 
- PARA DE CANTAR! - Gritei pro corvo.
 
Existe uma mulher. Com a certeza de que tudo que brilha é ouro. E ela comprou uma escada para o céu. Esse era o canto dos homens. Os homens são poéticos, perdidos e afogados em suas palavras. Cantam e gritam suas dores, mas elas sempre perseguem eles como o corvo.
 
E elas cantam.
 
Vagabunda!” sussurrei pra mim mesma o canto do corvo.
 
Sentia a sede novamente. Ela tremia meus dedos, e arranhava meus pulmões. Eu tinha que fazer. Sentir o carmesim quente em minha pele. Mas eu tinha medo. Eu tinha medo de morrer. De me tornar como aqueles bichos, que vagam entre a vida e a morte. Eles me assustavam. E o corvo cantava.
 
- Mil cairão ao teu lado. Dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido.
 
Um veículo espeta o horizonte e vem em minha direção. “Tu não serás atingido”. Tremi. Era um homem? Homens adoram mulheres. É sua natureza, é seu sentido. Basta ver um peito que eles ficam com o pau duro, e param de pensar com a cabeça.
 

O homem iria me ajudar, pois eu estava com frio.



Não sei se faço certo, nem se isso é correto. Mas não importa porque ainda tô fazendo. Me arrependo direto, mas que se foda porque eu ainda tô fazendo...
#2

Hades

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A garota e o corvo "cantam" na estrada. O animal alça voo e roda em círculos ao redor da cabeça da garota.

Larissa se levanta à medida que o automóvel se aproximava. Um caminhão. O motorista diminui a velocidade e para o carro na frente do ponto de ônibus.

-- O que uma garotinha faz sozinha aqui? -- Pergunta ele. Era um senhor de idade. Os cabelos branco-escuros, que um dia haviam sido castanhos, estavam arrumados para um lado, dando-lhe uma aparência estranhamente fofa e infantil. Ele olha para ela com uma expressão confusa. Parecia não notar o corvo gritando "Trouxa, trouxa, trouxa!"







Ω Lord of the Underworld Ω
#3
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Abracei a mim mesma com o frio. Era um homem. Era um caminhão. Eu vestia apenas a camiseta, nada mais. E os homens gostam disso não é? Eu me sujo de sangue, de terra e as vezes de coisas que eu nem sei o que são. Mas isso mancha minhas roupas, isso fere minha pele. E isso sai com água. Tudo sai com água. Até a vida.
 
Mas os homens... Não. Eles são sujos por dentro.
 
“Tem um pássaro azul em meu coração que quer sair”. Esse é um poema de homens. Mas os homens mentem. Não é um pássaro. É um demônio. E ele traja as vestes da imundice.
 

- Eu estou com frio... - Disse ao homem.  - Pode me esquentar?



Não sei se faço certo, nem se isso é correto. Mas não importa porque ainda tô fazendo. Me arrependo direto, mas que se foda porque eu ainda tô fazendo...
#4

Hades

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O senhor parece confuso.

-- Vestida deste jeito, tenho certeza de que está! Entre, eu vou ligar o aquecedor.

O tiozão parece bem simpático. Ele abre a porta para a garota e aperta botões no painel. O arcondicionado ganha vida com seus toques, começando a soprar um ar quente para dentro da cabine.

O corvo entra coaxando e se empolera no volante entre as mãos do homem.

-- Eu estou seguindo para Oakland. Estou indo rever minha familia. Para onde você está indo? Talvez possa te deixar no caminho -- Fala ele -- Onde está sua mãe, pequena?

O vento balança os frutos podres -- Cantarola o corvo, feliz -- com vermes e minhocas comendo os seus olhos! Vagabunda! Craaak!

O caminhão começa a se mover em direção ao norte. O homem liga o rádio e uma musica antiga começa a tocar. Gnarls Barkley, Crazy. O corvo começa a cantar sua música tosca no ritmo da canção.







Ω Lord of the Underworld Ω
#5
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- Vestida deste jeito, tenho certeza de que está! Entre, eu vou ligar o aquecedor.
 
Entrei no carro. Não tinha medo de homens. Tinha medo dos mortos que se levantavam no crepúsculo.
 
Eles seguem.
 
Eles seguem aqueles que os temem. Eles encontram, e rasgam a barriga dos que fogem. No fim todos nos tornamos iguais a eles. Vazios. Mortos. Vagamos. Nós seguimos. O corvo canta. Suas asas pretas balançaram empurrando o vento para baixo. Ele pousou no volante.
 
O velho não o via?
 
Talvez, fosse mais um demônio. Um demônio que cantasse comigo, enquanto os mortos se levantavam, enquanto as trevas davam espaço para o renascer dos impuros. Eles dizem que os homens são impuros, e dançam a valsa negra durante toda vida, guiados como peças de xadrez. Peões para um jogo.
 
Quem joga?
 
Essa é a pergunta que todos perseguem no fim das contas. Quem joga por trás dos panos. Será que realmente existe alguém? Ou somos peças vazias, paradas no mesmo quadrado enquanto pensamos nos mover?
 
Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
 
- Quem é você? O que é o Acampamento Meio-Sangue?
 

Perguntava para o corvo, não para o velho. 



Não sei se faço certo, nem se isso é correto. Mas não importa porque ainda tô fazendo. Me arrependo direto, mas que se foda porque eu ainda tô fazendo...
#6

Hades

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A garota faz sua pergunta, e o homem a encara meio confuso.

-- E-eu não sei one fica tal acampamento. Mas se é Meio-sangue, talvez seja onde os mestiços da europa ficam. Eu soube que eles...

Enquanto o homem fala animado uma história aleatoria sobre mestiços latino-europeus, o corvo foca seu miúdo olho negro na garota.

Eu sou Sibilo, o Corvo! Craaak! Porque eu sibilo! Haha! Vaca!

Ele gira no próprio eixo sobre o volante, equilibrando-se. O homem parecia sequer sentir suas penas roçando em suas mãos.

Meio-sangue, meio-sangue, meio-sangue -- Cantarola o Corvo -- para onde todos vão, mas poucos chegam! O buraco entre os dois Buracos! Siga reto e vire à esquerda! Onde todos saem, mas nenhum retorna! Familia, espadas, amigos, deuses, cidade, roma, semideus, rio, Tibres, colina, Fronteiras, Término, Monte, nevoa, Atlas, Sweater Weather! O santo Francisco! Vagabundas!

O corvo finaliza sua citação como se aquilo tudo resumisse o acampamento. Como se tudo estivesse claro e explicado. Ele dança, mudando o peso do corpo de um pé para o outro, parecendo feliz.

Ele pula para cima do rádio e o bica. Uma música indie começa a tocar

All I am is a man
I want the world in my hands,
I hate de beach but i stand
In California, with my toes in the sand

O corvo acompanha a música com sua própria letra.

A cobra come o coração da garota -- Ele começa feliz -- Mas ela tem duas cabeças! Craaaaaak! E nham, nham, nham, ela ficou louca!

Ele dá pulinhos em cima do painel do veículo, dançando para a garota.







Ω Lord of the Underworld Ω
#7
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Sentia a imundice rosnando dentro de mim e me manchando por dentro. Era negra como petróleo, e parecia que não importava o quanto eu tentava lavar, ela nunca fosse sair. Tive vontade de chorar e de jogar o jogo dos homens. Homens são engraçados. Jogue Xadrez com um deles, diga-o que todo peão é seu amigo, faça-o se lembrar de lindos momentos sob a sombra da sua torre, deixe-o crer que seus bispos são sagrados... Faça-o amar sua rainha, e veja-o perder todos eles.
 
Essas pessoas não sabem jogar. Eu sei. Mas então, por que eu sempre perdia? Sentia-me perdendo o jogo toda hora. “Eu perdi” dizia à mim mesma a todo instante. O homem grasnou e o corvo falou.
 
- Meio-sangue, meio-sangue, meio-sangue para onde todos vão, mas poucos chegam! O buraco entre os dois Buracos! Siga reto e vire à esquerda! Onde todos saem, mas nenhum retorna! Familia, espadas, amigos, deuses, cidade, roma, semideus, rio, Tibres, colina, Fronteiras, Término, Monte, nevoa, Atlas, Sweater Weather! O santo Francisco! Vagabundas!
 
- O Santo Francisco... - Repetia à mim mesma algo que me chamou atenção. Senti vontade de chorar, aquele corvo fazia-me querer chorar. O mundo parecia muito pesado para mim. Por que as pessoas tinham que ser tão más? - O Santo Francisco. - Repeti, com mais agonia, mais esperança, mais choro na garganta. Parecia esperançoso. Uma música aconchegante toca, e esquenta meu coração, mas ele logo vê a face do diabo quando percebo que tratava-se de uma arritmia do corvo.
 
- A cobra come o coração da garota. Mas ela tem duas cabeças! Craaaaaak! E nham, nham, nham, ela ficou louca! - Novamente eu sentia vontade de chorar. Meu rosto ficou vermelho. Eu queria chorar. As cobras são perigosas, sempre foram desde o início dos tempos.
 
Gênesis3:1 Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?
 
Senti-me afrontada pelo fogo que queima abaixo do mundo, assustada e impura, fechei os olhos e comecei a rezar.
 

- Pai nosso que estás no céu... 



Não sei se faço certo, nem se isso é correto. Mas não importa porque ainda tô fazendo. Me arrependo direto, mas que se foda porque eu ainda tô fazendo...
#8

Hades

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A viagem segue. O homem para de falar quando percebe que a garota está orando, e por alguns momentos tudo o que se ouve é a voz baixa da menina e a música no rádio. O corvo caminha tranquilamente pelo painel até estar na frente dela. Ele inclina a cabeça, olhando-a com curiosidade.

O Santo perdeu as botas! Creeeeak! Lá, lá!

O corvo corre e pula na janela do motorista, batendo as asas. Aparentemente, tentava apontas com o bico para alguma direção. Há quanto tempo estavam viajando? Ela estaria ainda no caminho certo? Não saberia dizer. Estava com sono. Muito sono. Não havia dormido por horas, diferentemente do corvo que hora ou outra tirava uma soneca em cima do painel do carro ou da marcha.

Na margem da estrada a garota conseguia ver a areia. Estavam passando por algumas dunas. Estavam perto do mar, então? Os vidros fechados não deixavam o cheiro salgado entrar, mas as dunas brancas denunciavam a proximidade da praia. E de pé em uma delas, a garota consegue ver uma estranha figura negra, olhando diretamente para o carro. Parecia um homem encapuzado, mas as sombras do capuz eram escuras demais. As roupas, a própria sombra que se projetava dele era escura demais para ser normal.

O corvo pula para a janela da menina, tentando equilibrar-se na maçaneta interna e começa a bicar o vidro.

Titio!, grita ele.







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